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sábado, 23 de março de 2013

Complaint



“Preciso de menos velocidade, pois quanto mais eu corro, mais fantasmas aparecem. Mais fantasmas vejo eu.

Preciso ficar em silêncio mais vezes; pois do silêncio nasce a observação, e da observação a ciência e a sabedoria. Precisamos de sabedoria sempre.

Preciso de um tempo num canto sozinho. Qualquer lugar onde haja vento soprando na cara, sons de pássaros e do balanço das árvores ou ondas do mar...

Preciso, tão somente ‘ficar na minha’ sem temer aos acontecimentos do sobrenatural, e ter de optar entre o partido do bem ou do mal... Isso é tão maçante! 

O que tenho eu a ver com a milenar batalha de deuses? Eles que se digladiem e se matem sem envolver-me nesse jogo frenético de interesses que mais parecem advirem de meninos mimados”.

domingo, 17 de março de 2013

Pensamento de Mahatma Gandhi





Tenha sempre bons pensamentos,
porque os seus pensamentos se transformam em suas palavras.

Tenha boas palavras,
porque as suas palavras se transformam em suas ações.

Tenha boas ações,
porque as suas ações se transformam em seus hábitos.

Tenha bons hábitos,
porque os seus hábitos se transformam em seus valores.

Tenha bons valores,
porque os seu valores se transformam no seu próprio destino


  


Nota:

Este texto nos foi enviado pelo grande amigo Vanderlei G. Montenegro, residente em Porto de Galinhas, PE.

O Ponto de Vista na Rede agradece por esta obra prima!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Buranhém - Relatos durante a fuga do carnaval.


Quando eu chego nessas terras em sinto uma paz de espírito imensa. 
Não sei bem como descrever. É que sinto um alívio muito constante e arejado quando piso no chão daqui.
É como se sentisse o sabor do ar puro correndo em todo meu sistema respiratório.
Aqui eu me sinto mais leve, sem pesares, sem necessidade de saber de muita coisa, ter boa oratória  ou impressionar as pessoas...
Aqui o que impressiona é o vento e o céu limpo, cheio de nuvens, de um azul celeste que mais se parece a pintura refinada das paredes do Paraíso.
A sintonia do ambiente é simplesmente perfeita, não há atropelos:
O canto dos pássaros, o balançar dos galhos das árvores que são acariciadas pelo sopro dos ventos frios que trazem a magia da floresta.
A vontade é de ficar aqui o tempo todo, a fim de fugir da paranoia barulhenta da cidade quente, poluída e intransitável.
Por aqui eu não tenho necessidade de conexão rápida. 
Minha conexão é suave, lenta e constante com a Senhora Mãe Natureza.

Buranhém me faz perceber quão importante é manter-se sintonizado com o meio ambiente, de forma a perceber eu sou uma partícula do Todo e o Todo faz parte de mim.

domingo, 6 de maio de 2012

Menino de Engenho

Com agulha de tricô nas mãos, dona Zezinha modela um mimo para o netinho do coração, o filho de Eduardo. Contou-me com algo de pesar nos olhos, que Eduardo, depois de ter virado pai, pensava ajuntar-se de vez com a mulher.

"Ah, como vai fazê falta, meu fio... Mas fico feliz porque ele tem que cuidá da família dele, né verdade?"

Eu meneava a cabeça positivamente...

"Lembro-me como se fosse há 14 anos atrás: Eduardinho passava com uma garrafa de plástico pra pescá... Amarelinho do cabelo enrolado, que só veno. Naquela época ele morava só com o pai, seu Agenor, num sítio distante. Foi quando João chamou ele pra pastorá boi mais os minino... Sabe? Teve uma vez que o bichinho pegou meu Omo e polvilhou por cima da roupa, rapai, estirada na beira do rio, pareceno uma tapioca com farinha por cima." 

 Dona Zezinha ri da lembrança. 

"Aí eu peguei e disse a ele: meu fio, deixe uma parêa de roupa que eu lavo pra você. Foi a última vez que ele lavou roupa, meu fio. Já tá com 28 anos, meu rapaz... Seu Agenor disse que a mãe dele tinha ido embora quando ele completou 08 anos de idade. Pronto... Dali pra frente foi só seu Agenor e Eduardo. Sim, voltando ao assunto: como o sítio que ele morava era longe, ele passou a dormir lá em casa. Os anos se passou e o pai dele casou de novo, mas ele ficou com a gente. João, meu marido, gostava dele porque era um minino esforçado que só!
Aí, quando a gente se mudou pra cidade, por causa da barrage, ele veio também. Fico toda orgulhosa quando ele apresenta os minino como irmão e irmã... Me chama de mãe até hoje, e nunca deixou de me ajudar quando eu mais precisei, meu fio... Perto??? Eu sei que ele não vai pra longe. Mas o vento vive perto e ninguém consegue abraçá ele, né meu fio? Ha, ha, ha..."

Dona Zezinha faz silêncio por alguns segundos; quase exatamente 60 segundos.

"Qué mais café, meu fio?"

Passam das 16h30 quando tomei a última xícara de café. Volto pra casa sob chuva fina, sendo de longe observado pela velha avó, mãe e amiga dona Zezinha. Meu Deus, que café gostoso! 
Dona Zezinha me fez ter "pena" do mundo inteiro, que caminha segamente, à passos longos, para o desenvolvimentismo, para o piso asfaltado quente e frio, para os produtos em escala industrial, para a massificação das pessoas, dos pensamentos, dos sentimentos...

Ah, dona Zezinha, quem dera o mundo todo fosse tão doce quanto teu coração, que só expira amor.

Gleydson Góes

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Conversa com as Estrelas

Quero ser leve brisa a suavizar as almas cansadas que vagam sob o ardente sol desses nossos tão formidáveis tempos modernos! Tempos supérfluos, tempos do materialismo e total menosprezo aos valores...
Quero manter doçura no olhar, ainda quando eventualmente nele habitar o ódio, o arrependimento, o medo e a escuridão dos mais profundos e medonhos rincões de minha mente, tão humana, tão pequena e tão rapidamente finita.

Deseja ardentemente meu coração, somar esforços para promover o bem a todos que tão desavisados vivem uma vida de violentas disputas e intrigas tolas que não  que fazem o menor sentido...

Quero trazer paz onde se instale a escuridão das guerras, e luz onde se infiltre a venda da cegueira. 
Pois é para isso que estamos aqui: viver em comunidade, celebrar uma conquista conjunta e plantar sementes de amor e mansidão, ainda que nos terrenos mais ressequidos que existirem.

Essa é minha razão. Eu descobri assim, de repente, depois de um café com as estrelas que conversam comigo pela janela de meu quarto.
Gleydson Góes


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Minha alma, Maryaninha e Eu.

Por que abrasamos nossas almas e as mal tratamos tão indiscriminadamente?
Por que usamos seja lá qual for o motivo para estressá-las e pô-las em xeque?

Pobres almas, tão singelas,
Sufocadas com tantas posses, tantas poses, tantos desejos de poder, tanta babaquice...
Pobres almas tão meninas,
Desconsideradas, não ouvidas, escanteadas...

Hoje meu bebê corria pela casa como se fosse um jatinho em forma de anjo.
De repente minha alma a colheu nos braços a cantou musiquinhas de ninar para ela dormir.
Eu queria mesmo ver as notícias inteligentes e atuais dos telejornais.
Ver o que se está passando no mundo, quanto está custando o dólar,
O preço da commodity, do petróleo, o que estão fazendo os tigres asiáticos...

No entanto, minha alma colheu Maryaninha nos braços e chorou feliz quando a viu embalada num sono tão pacífico e renovador...

Era como se um anjo, arcanjo, querubim ou espírito extremamente elevado cochilasse bem nos Braços, tendos meus humildes ombros de regaço pra dormir!

Minha alma sorria... Aliviadamente sorria ali, em silêncio.

De repende lágrimas rolavam no rosto d'um titio que pensava nos anjinhos que vagam perdidos pelo mundo a fora.
Estão com frio, com saudade, sem escolas ou
sendo instruídos para a guerra,
Ou sendo criandos "na gerra".

Minha alma, Maryaninha e eu pedíamos a Papai do Céu proteção e paz...