Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Quem tem olhos pra ver o tempo Soprando

Por Viviane Mosé

Quem tem olhos pra ver o tempo
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos?
O tempo andou riscando meu rosto
Com uma navalha fina
Sem raiva nem rancor.
O tempo riscou meu rosto com calma
Eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença).
Acho que a vida anda passando a mão em mim.
A vida anda passando a mão em mim.
Acho que a vida anda passando.
A vida anda passando.
Acho que a vida anda.
A vida anda em mim.
Acho que há vida em mim.
A vida em mim anda passando.
Acho que a vida anda passando a mão em mim.
E por falar em sexo
Quem anda me comendo é o tempo
Na verdade faz tempo
Mas eu escondia
Porque ele me pegava à força
E por trás.
Um dia resolvi encará-lo de frente
E disse: Tempo,
Se você tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos
Acho que ganhei o tempo
De lá pra cá
Ele tem sido bom comigo
Dizem que ando até remoçando.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Nós SOMOS o futuro!

Nós somos o futuro dessa cidade! 
Somos o futuro de nosso estado, de nosso país e de nosso planeta.
Somos os futuros pensadores, políticos, empresários, críticos, artistas, peritos, produtores,
formadores de opinião, professores, líderes religiosos, força policial, experts em TI, agricultores, embaixadores, embardores, hackers, fazendeiros, jornalistas, mobilizadores, comunicadores... Somos essenciais para os processos de renovação e melhoria por uma sociedade mais justa, sustentável
e igualitária. Ou você duvida disso? Quem sabe a TV duvida disso. Então, que sejamos o futuro da TV!
Você já parou para pensar sobre isso? Onde estará você nesse futuro? Quem será você nesse futuro?
Precisamos renovar nossas piadas, nossos governos, relacionamentos, comportamentos, pensamentos.
Precisamos quebrar tabus, romper com o status quo, e deixar a nossa marca na história da humanidade.
Como bem disse o poeta: "ACORDA! LEVANTA! REAGE!"


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Provocações


A primeira provocação ele aguentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.

A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.

Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.

Foram lhe provocando por toda a vida.

Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.

Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.

Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.

Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a ideia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.

Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:

- Violência, não! 


Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Palavras

Palavras...
Há tantas palavras ainda engasgadas.
Oh, palavras!
Tudo vira palavra, ou palavrão.
As palavras dão significado ao mundo.
Vivemos no Planeta Palavra.
O que comemos e o que bebemos também são palavras.
Nossas partidas e chegadas só são possíveis pelas palavras.
Seriam, então, as palavras essenciais?
Talvez não!
O silêncio das coisas e das palavras entre nós falava muitíssimo mais.
Aquecia meu peito de maneira indefinível.
No entanto, ontem, as palavras arruinaram toda a poesia que se fez.
As palavras chacinaram meus sentidos.
As palavras invadiram o ambiente e acordaram-me de meu sonho tão juvenil...
Vejam só como são intrometidas e mesquinhas as palavras.
Agora sigo louco nesse longo caminho, 
Ávido por destruir toda e qualquer placa que contenha palavras...


Lyra Richard

domingo, 1 de setembro de 2013

Tudo que me deixa triste...

Eu amo tudo que me deixa triste: 
Canção, chuva, esquecimento, filme trite, camiseta rasgada, rock alternativo, coleção incompleta, violão, feridas, bar, noite sem lua, ligações rejeitadas, você...




Edson Arantes

terça-feira, 20 de agosto de 2013

As duas portas do meio

Acho que a primeira coisa que tentamos fazer foi lembrar o nome um do outro.
Confesso que não consegui tal proeza de imediato. Somente alguns minutos depois me veio seu nome à cabeça. 
Talvez depois de ter tentado várias combinações de vogais com as 9 consoantes que antecediam o "J" de "jogo", cheguei à conclusão que o "J" era de "Jailma". Isso! 
É esse seu nome!
Eu nem planejava pegar o ônibus sentido "centro". Meu destino era a Cohab. Foi engraçado. Foi rápido demais. 
Não consegui abraçá-la, nem deu tempo para "por o papo em dia"; e isso depois de tantos anos...
Ela estava sentada na parada de ônibus muito bem produzida e peteada. Portava uma bolsa pequena e alguns livros e cadernos. Acredito que voltava de alguma faculdade.
De repente as portas do meio se abriam aos poucos, enquanto eu mexia no telefone celular sentado nos degraus do coletivo onde todos já haviam se acomodado, menos eu.
Ela olhou para mim com cara de surpresa, como quem dizia "minha nossa, olha quem está ali!".Acredito que a minha cara também lhe deixou transparecer o mesmo! 
Por cerca de 3 ou 4 segundos fitamo-nos, muito possivelmente sem sabermos ao certo o que falar.
Eu pensei: "O que dizer? Bem... Não vai dar para pedir o número dela. Não daria tempo."
E em fração de segundos resolvi fazer aquela velha pergunta de pessoas que não se vêm há muito: "Você 'tá' morando onde agora?", para receber um "No mesmo lugar!", como resposta.
Daí então desceram os cerca de 3 passageiros que ficariam naquela parada onde Jailma estava. Eu me levantei, logo depois do fechar das duas portas do meio, - ainda com um sorriso no rosto e com vontade de continuar a conversa-, para tentar acompanhar com a vista seu "acenar" ao brilho de um sorriso em seus olhos tão negros...

Pena que não me lembro onde é ao certo esse "no mesmo lugar".

Kurt Spörk

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Maior do que EU

Ás vezes sinto-me maior do que meu corpo.
É como se eu não coubesse em mim mesmo.
Sei lá... É gozado. 
Sinto-me apertado numa matéria que carece de algo.
Algo dentro de mim, quem seja minh'alma, espírito, neurônios ou o conjunto disso tudo fica a ponto de explodir.
A vontade é de sair voando por aí e respirar o máximo de oxigênio possível.
A vontade é de beber a água de todas as chuvas que chovem de madrugada.
Gosto do silêncio da noite.
Na calmaria noturna eu fico calado escutando o silêncio, e admirando os astros dos Céus.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ela cai

Gosto muito de ouvir música...
Ao acordar, na primeira oportunidade que eu tenho, ligo o som para poder ter um dia melhor.
A música é indispensável para mim, pois dialoga com a minha alma e me faz muito bem.
Hoje pela manhã havia uma pequena disputa sonora: o som do aparelho eletrônico e o som da chuva que caia tímida formando um arco-íris por detrás da colina.
Meus sentidos se aguçam quando sinto cheiro de terra molhada e o friozinho suave da chuva que desliza.
Baixei o volume de minha música para ouvir a música do Universo. O afago dos Céus sobre nossas cabeças tão cansadas de um mundo de ponta-cabeça.
A chuva é linda! 
Ela cai sobre as cabeças dos ricos e dos pobres.
Cai sobre as cabeças dos bons e dos maus.
Cai sobre os telhados de casas grandes, casas pequenas, casebres e palafitas.
Ela molha a plantação de seu Genaro, de dona Maria, de Paulo Vitor e Marcos André.
Ela molha todas as plantações, e,  em quanto molha, canta afinada na companhia dos ventos e às vezes com o grave dos trovões.

Maruto

segunda-feira, 17 de junho de 2013

IRMÃOS DA LUA (Jessé - 1982)

Somos todos irmãos da lua,
Moramos na mesma rua,
Bebemos do mesmo copo
A mesma bebida crua.

O caminho já não é novo -
Por ele é que passa o povo.
Farinha do mesmo saco,
Galinha do mesmo ovo.

Mas nada é melhor que a água;
A Terra é mãe de todos;
O ar é que toca o homem
E o homem maneja o fogo.

E o homem possui a fala,
E a fala edifica o canto,
No canto repousa a alma,
Da alma depende a calma.

E a calma é irmã do simples,
E o simples resolve tudo,
Mas tudo na vida às vezes
Consiste em não se ter nada.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A chuva quando ainda é chuvisco

Gosto de andar na chuva quando ainda é chuvisco. 
Principalmente à noite, quando o frio é naturalmente maior.
É como se os céus afagassem minha cabeça com carinho, conduzindo-me ao silêncio que se faz quando chove.
É um silêncio bonito, quebrado apenas pelo som dos calmos ventos, em dias de ventos calmos.
Gosto de sentir o chuvisco tomando corpo e ganhando força quando caminho sem pressa sob a chuva.
E, de repente, percebo-me completamente molhado.
E, de repente, percebo-me completamente ensopado de chuva e chuvisco.



Lyra Richard

Ela não tem jeito!

Ela não tem jeito: sabe que é de veras bela, e por isso desfila boçalmente como forte rajada de luz do sol a todos cegar. 
Balança os cabelos como quem nada pretende, apruma o broche que leva preso à blusa, peteia as sobrancelhas disfarçadamente com a ponta do dedo anelar da mão direita, e segue a desfilar como se fosse um “manga-larga machador” de pura raça, - jamais contando com a velhice do porvir -, com peito estufado e cheio de vida, andando com extrema altivez.
E eu, aqui de longe, finjo que em nada sou abalado! Finjo caminhar rápido e desapercebido, quando na verdade estou de olhos vidrados nessa tão formosa dama, que mais parece atrair-me como um imenso ímã que puxa avulsa pregos soltos caídos n'algum rincão. 
Ela não tem jeito! Será que consegue amar? E quem será o rico cavalheiro que a honra tem de ser seu par? 
Oh, que inveja tola! Como posso eu prestar-me a tais pensamentos?!
Continuo o meu caminhar e busco no firmamento ver o sol ou as nuvens, a fim de consolar-me sobre o fato de que há coisas no universo que foram feitas só para serem olhadas, e nada mais.



Ferdinand Personne

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Se eu morresse amanhã (Álvares de Azevedo)

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Posto em Miúdos

Como falar de amor entre nós que mal acreditamos em Deus, e pouco sabemos sobre os mistérios da humanidade e o sentido dos homens?
Para mim falamos o que vem à cabeça em momentos de prosa, dependendo do ambiente, do tempo e do que do se ingere.
Não posso negar que em muitos momentos eu vi brilho em teu olhar fraternal; assim: de adimiração e alegria por estarmos filosofando e fazendo-nos promessas.
Todavia, duvido muito que no outro dia esses pensamentos continuem os mesmos em tua cabeça.
E nada duvido que vejas em mim um vilão ou um desorientado que carece de idiologia, contrapondo, drasticamente, as primeiras impressões que, em tese, seriam sempre as que deveriam ficar...
Posto em miúdos: nada do que prometemos teremos certeza de cumprir, pois a vida é exaustivamente cíclica e inconstante, assim como nós.


 Kurt Spörk

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Artista é um deformador de Opinião

"Poesia não se faz somente falando de flores. É preciso meter a mão no esterco pra tirar palavras. Assim é com humor. Humor não é feito só pra gargalhar. Como poesia não é feita só pra ser linda e nem música só pra animar a festa. Tem vezes que não se ri, nem por isso deixa de ser humor. Nem toda rima é poesia, nem todo samba é pra dançar. Mania de falarem da arte apenas como algo belo, leve ou doce. Algo que serve apenas para "aliviar a vida dura". A arte deve também ser terrível quando solicitada. Quando o piá apronta, a mãe alerta: "Já tá fazendo arte!". É isso! "Mães" temem a arte, porque arte é desobediente, incomoda. A arte ataca! Arte não é cordeiro. Arte é predador! O Artista é um deformador de opinião." 

Alexandre Nero

Esta postagem tem direta contribuição do amigo e irmão João Neto (Negra)

Obrigado, Negra.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Guardador de Rebanhos (Fernando Pessoa)

Belíssima representação de "O guardador de rebanhos", de Fernando Pessoa!

Assista. Baixe. Compartilhe com as pessoas que ama.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

AS REGRAS DA POESIA


Fugir da norma culta
Erros ortográficos propositais
Frases de duplo sentido
Palavras de baixo calão
Sem deixar de registrar na poesia
A verdadeira intenção
Crítica e suas consequências
Ao ser humano a auto-reflexão
Com grande maestria
Usar, abusar, ousar e marcar
Com cadência e beleza
Musicalidade
Rimas, sons com harmonia
Na definição estabelecida
Essas são as regras na poesia

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A lirinha


O lirismo de tu insanidade faz-me sentir algo muito peculiar, diferente e estranho como nós...

Adoro ver refletida na lua a castenhisse de teus belos olhos de criança perdida no mundo.
No mundo a fora vai tua magreza esfomeada por cumes, picos, vulcões em atividade, cavernas asfixiantes, estradas esburacadas, caminhos cheios de espinhos, tormentas, terremotos, tempestades, el niño, la niña, confusão... Não te poupas nunca.

Assim és tu: uma combinação de fragilidade e audacidade extremas.
Um amargo chocolate branco com pimenta.
A poeira que  vai sufocando-me a garganta suavemente...

Acho que sou a lenta lágrima que desliza discretamente pela escultura de arte que teimam chamar de "teu rosto", e incerto da possibilidade de rever-nos outra vez, me despeço, oh poesia humanificada, lembrando teu cálido abraço na escuridão de meus mais profundos devaneios. 

Avec beaucoup de respect,

Gleydson Góes

sábado, 4 de agosto de 2012

Sendo quem você não é... (Ou a estupidez maior)


Tiras do Snoopy
 
"E quantas vezes fazemos tanto isso para sobreviver que esquecemos o que deveria ser mantido vivo. Leiam "Retrato", de Cecília Meireles!!"

Essa foi uma postagem de um de meus amigos e primo, o filósofo Antônio Souza,  ou apenas Tony, no Facebook.
O interessante é que eu já vinha pensando em algo do tipo desde ontem, e acabei chegando a conclusão que:

Não podemos deixar que nossos conceitos políticos, filosóficos e religiosos se tornem preconceitos e estraguem o que há de mais belo entre os seres pensantes: a amizade autêntica e o respeito.

Amigos autênticos são aqueles que discutem contigo, chegando, às vezes, a alterar o tom de voz. Isso mesmo: eles gritam!
São aqueles que "colocam sal na ferida", mas que o fazem com todo respeito e amor.
Às vezes chegamos a odiá-los por discordarem de nós, pois ingenuamente pensamos que estão nos traindo.

Porém, o amigo que apenas afaga e dá "tapinha nas costas", é na verdade um grande propenso a traição e omissão, pois não consegue exercer a verdade plenamente.
Além de não exercer a verdade, torna-se um ser mentalmente pobre. E isso, é lastimável.

Em  Mateus 7, versículos 01 e 02 Jesus Cristo admoesta:
 
"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós."

Na revolução francesa, Voltair brinda-nos a máxima:

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Em resumo, não há nada mais importante que buscar arduamente o exercício da tolerância, e nos colocarmos no lugar do "acusado", em vez de procurarmos ver apenas seus defeitos.

Agora vamos de Cecília Meireles:

Retrato 
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"

Cecília Meireles