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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Verdadeiro Canalha, por Bezerra da Silva

Ao chegar à uma modesta venda (um barzinho) na Comunidade de Sacambú, Engenho Buranhém, Cabo - PE, vi pregado na parede um calendário com a foto de um vereador completamente inoperante, inútil e cara de pau, vizinho meu.

Perguntei ao senhor que cuidava da venda se ele (o vereador) era um cara legal.
A resposta foi um animado "inhapôi".

Pensei comigo: olha aí como esse "fdp" se re-elegeu: às custas de gente humilde e trabalhadora, que não faz ideia de como os vizinhos desse palerma estão revoltados com o tremendo deserviço que este debilóide presta à sociedade, que sofre com a violência desenfreada, com uma educação "merda" e epidemia de drogas recrutando jovens sem perspectiva de uma vida melhor, sem espaço público para lazer, sem qualificação profissional..

Este vídeo é parte de um desabafo que eu gostaria de compartilhar com todos os cabenses, pernambucanos e brasileiros que não aguentam mais tantos desmandos, tão frequentes na política, ciência belíssima desenvolvida por filósofos e pensadores que foi "prostituída" por cafetões e cafetinas que "não valem o que o gato enterra", como diz o dito popular.

Este acontecimento me inspirou a criar este vídeo. Veja o resultado:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Buranhém - Relatos durante a fuga do carnaval.


Quando eu chego nessas terras em sinto uma paz de espírito imensa. 
Não sei bem como descrever. É que sinto um alívio muito constante e arejado quando piso no chão daqui.
É como se sentisse o sabor do ar puro correndo em todo meu sistema respiratório.
Aqui eu me sinto mais leve, sem pesares, sem necessidade de saber de muita coisa, ter boa oratória  ou impressionar as pessoas...
Aqui o que impressiona é o vento e o céu limpo, cheio de nuvens, de um azul celeste que mais se parece a pintura refinada das paredes do Paraíso.
A sintonia do ambiente é simplesmente perfeita, não há atropelos:
O canto dos pássaros, o balançar dos galhos das árvores que são acariciadas pelo sopro dos ventos frios que trazem a magia da floresta.
A vontade é de ficar aqui o tempo todo, a fim de fugir da paranoia barulhenta da cidade quente, poluída e intransitável.
Por aqui eu não tenho necessidade de conexão rápida. 
Minha conexão é suave, lenta e constante com a Senhora Mãe Natureza.

Buranhém me faz perceber quão importante é manter-se sintonizado com o meio ambiente, de forma a perceber eu sou uma partícula do Todo e o Todo faz parte de mim.

domingo, 6 de maio de 2012

Menino de Engenho

Com agulha de tricô nas mãos, dona Zezinha modela um mimo para o netinho do coração, o filho de Eduardo. Contou-me com algo de pesar nos olhos, que Eduardo, depois de ter virado pai, pensava ajuntar-se de vez com a mulher.

"Ah, como vai fazê falta, meu fio... Mas fico feliz porque ele tem que cuidá da família dele, né verdade?"

Eu meneava a cabeça positivamente...

"Lembro-me como se fosse há 14 anos atrás: Eduardinho passava com uma garrafa de plástico pra pescá... Amarelinho do cabelo enrolado, que só veno. Naquela época ele morava só com o pai, seu Agenor, num sítio distante. Foi quando João chamou ele pra pastorá boi mais os minino... Sabe? Teve uma vez que o bichinho pegou meu Omo e polvilhou por cima da roupa, rapai, estirada na beira do rio, pareceno uma tapioca com farinha por cima." 

 Dona Zezinha ri da lembrança. 

"Aí eu peguei e disse a ele: meu fio, deixe uma parêa de roupa que eu lavo pra você. Foi a última vez que ele lavou roupa, meu fio. Já tá com 28 anos, meu rapaz... Seu Agenor disse que a mãe dele tinha ido embora quando ele completou 08 anos de idade. Pronto... Dali pra frente foi só seu Agenor e Eduardo. Sim, voltando ao assunto: como o sítio que ele morava era longe, ele passou a dormir lá em casa. Os anos se passou e o pai dele casou de novo, mas ele ficou com a gente. João, meu marido, gostava dele porque era um minino esforçado que só!
Aí, quando a gente se mudou pra cidade, por causa da barrage, ele veio também. Fico toda orgulhosa quando ele apresenta os minino como irmão e irmã... Me chama de mãe até hoje, e nunca deixou de me ajudar quando eu mais precisei, meu fio... Perto??? Eu sei que ele não vai pra longe. Mas o vento vive perto e ninguém consegue abraçá ele, né meu fio? Ha, ha, ha..."

Dona Zezinha faz silêncio por alguns segundos; quase exatamente 60 segundos.

"Qué mais café, meu fio?"

Passam das 16h30 quando tomei a última xícara de café. Volto pra casa sob chuva fina, sendo de longe observado pela velha avó, mãe e amiga dona Zezinha. Meu Deus, que café gostoso! 
Dona Zezinha me fez ter "pena" do mundo inteiro, que caminha segamente, à passos longos, para o desenvolvimentismo, para o piso asfaltado quente e frio, para os produtos em escala industrial, para a massificação das pessoas, dos pensamentos, dos sentimentos...

Ah, dona Zezinha, quem dera o mundo todo fosse tão doce quanto teu coração, que só expira amor.

Gleydson Góes