Acabo de sentir a mórbida presença da morte.
Ela, dessa vez, veio à noite. Não veio à cavalo, veio sobre duas rodas.
Desceu, tirou da funda a máquina da fazer defunto e disparou como louca, sedenta por sangue.
Foram diversos os tiros. Eu estava tranquilo na rede quando ouvi o eco das balas atrapalharem meu som, seguidos de gritos desesperados.
De imediato me joguei no chão. Eu não sabia o que fazer... Nem orar eu consegui.
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terça-feira, 12 de março de 2013
sábado, 22 de dezembro de 2012
Substâncias
Substâncias...
O que somos nós se não milhares de substâncias?
Somos amargos, líquidos, doces, gasosos, frios, cálidos...
Somos ciência, experiência, filosofia e alma.
Substâncias...
O que somos nós se não milhares de substâncias?
Somos todos substancialmente passageiros...
O que somos nós se não milhares de substâncias?
Somos amargos, líquidos, doces, gasosos, frios, cálidos...
Somos ciência, experiência, filosofia e alma.
Substâncias...
O que somos nós se não milhares de substâncias?
Somos todos substancialmente passageiros...
Gleydson Góes
Saudosos Amigos
Há dois velhos amigos que sempre me escreviam algo. Eles me encaminhavam e-mails interessantes, poemas, links de filmes, fotos de passeios, dores. Há muito não recebo respostas para meus e-mails. Um deles vive longe. É austríaco e nem seu número residencial eu tenho.
O outro é daqui, mas nenhum dos números atende.
Tentei enviar-lhe meu novo e-mail, mas recebi uma mensagem automática dizendo que não era possível entregar meu e-mail para seu endereço.
Certamente seu correio deve estar desativado...
O motivo pelo qual eu não sei. Será que ele mudou de endereço? De país e endereço? Morreu?
Senti uma certa tristeza profunda e melancolia nesta tarde quente de sábado. Lembrava de nossos diálogos cabeças e malucos, assim como lembrava dos cartões postais de tantas partes do mundo
que o Kürt me mandava, com mensagens de carinho suas e de sua bela esposa Elizabeth.
Deveria ter pego o e-mail de um de seus filhos ou pelo menos o número da casa deles...
Parei pra pensar em meus melhores amigos do passado e percebi que meus amigos de 5/10 anos atrás estão muito distantes, pelo menos boa parte deles, quer seja geograficamente ou intimamente.
Nossos valores foram mudando no decorrer da vida, e acabamos por nos afastarmos por não mais compartilharmos gostos ou pontos de vista em comum. Mesmo assim eu sinto saudades deles. Mas fico feliz por saber que novos amigos apareceram. Novos rumos também...
É... a vida é assim: um eterno ciclo de encontros e desencontros, não só no que diz respeito aos laços de amizade, mas de nós mesmos. Nos desencontramos e encontramos quase que diariamente.
Estejam onde estiverem, oh saudosos amigos, que estejam bem!
Estejam onde estiverem, oh saudosos amigos, que estejam bem!
Gleydson Góes
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Quando é hora de voltar (Crônica a um amigo)
Eu nem sabia de nada, mas pelas estradas vinham meus amigos de volta pra casa.
De caminhão, tal como pela primeira vez, subiam seus móveis desnudos no ar gélido de 18 de setembro de 2012.
Mas graças a Deus nem choveu!
Tudo correu bem, e agora terão muito trabalho pra arrumar de novo a casa, podar os galhos ressequidos, limpar as teias de aranha, pintar as paredes do quarto e aguar as plantas.
Lembro-me como se fosse hoje, há cerca de 13 anos atrás chegava um garotinho oriundo de brenhas distantes, com um olhar de desconfiança.
Vivia fazendo cercado com palitos de fósforo e linha, e imaginava que era fazendeiro brincando com os bois de plástico.
Mas o mais engraçado era quando eu tentava me chegar: vinha como quem não queria nada, mas morrendo de vontade de brincar...
"Ouxi... Que menino doido. E precisava correr???" (muitos risos)
Hoje o vi de novo num caminhão, mas dessa vez não mais estava encima como da vez primeira, veio na boléia com o motorista.
Já é homem quase que completamente feito: o matuto tá estudado e tá virando gente na vida!
O melhor é saber que o vejo numa ascendente... Pra cima, como deve ser, e pra frente, como deve ser.
Bem vindo de volta, meu amigo e irmão Valdinho. Essa rua tava mesmo meio chata sem um cúmplice como tu!
terça-feira, 15 de maio de 2012
Fim dos habitantes do Mundo
Se caísse um meteoro gigantesco agora sobre as cabeças desses cerca de 7 bilhões de animais que se intitulam "racionais", e os surpreendesse de maneira devastadora; a terra, certamente, não sentiria a menor falta dos ditos cujos...
Em vez disso, se alimentaria deles. E de maneira natural se auto-ajustaria.
Porém, se apenas uma porção do planeta desses bípedes idiotas e mesquinhos fosse atingida, e suas funções naturais, como temperatura, nível dos mares e o movimento das placas tectônicas sofressem drástica alteração, sem dúvida alguma os "civilizados" amargariam as conseqüências.
Chego a conclusão que somos todos intrusos num planeta completo, cheio de seres microscópicos poderosos, cujas peças se encaixam perfeitamente e que é altamente indiferente à nossa "significância".
Penso eu que, se o planeta terra pudesse pensar, com certeza se sentiria finalmente em paz pela diluição de seres que, como carrapatos, ou se preferirmos piolhos, exploram as riquezas do mundo e depois acabam por se devorarem uns aos outros para ver quais deles se tornarão o mais gordos e cheios de posses.
Para concluir, acho muito engraçado tudo aquilo que dizemos ser coisas sérias de verdade, e de alta responsabilidade, pois somos os seres que menos se preocupam com a seriedade das coisas, pois deturpamos os valores de tudo que tocamos para satisfação de nosso próprio ego.
Tudo bem... Pode ser que eu esteja "generalizando" demais. Porém, ao lembrar que a desordem em que organizadamente vivemos é generalizada, me perdôo e durmo em paz!
Gleydson Góes
sábado, 7 de abril de 2012
Piada de Deus
Por favor, caro leitor, não me leve a mal. Não quero dizer que Deus é um cara gozador, caracterizando assim um desrespeito a sua divindade, poder e supremacia. Não se fazem piadas de um juiz, homem da lei, perante o juiz. Eu bem sei que estamos sempre - em toda história da humanidade - perante Deus, pois fez-se onipresente, em todas as religiões e lugares. Mas a vida é engraçada. E a graça que acho talvez seja riso de nervoso, porque somos seres estranhos, esquisitos de se ver.
Desmatamos tudo que conseguimos, depois criamos leis para evitar nossas barbáries. Mas, obedecendo a nossa sina, revisamos nossas leis idiotas e abrimos brechas para tornar nossos crimes legais.
E achamos legal cometer crimes.
Somos criminosos contra nós mesmos quando tornamos a "mentira branca" parte integrante, importante e permanente de nossas vidas. Mentimos por tudo e por nada. A verdade é muito para nossas cabeças criadoras de situações e fracas. Preferimos criar mundos maravilhosos de ilusões e "perfeições", procuramos o ideal. Nada é ideal e perfeito.
Se notarmos bem, a filosofia asiática do Ying -Yang está até no mais belo piano de ébano e marfim emissor das notas criadoras das valsas de Chopin, bem como em qualquer outro piano ou instrumento musical...
O que são os invejáveis pianos para quem não os sabe tocar? Nem todos alcançam essa proeza na vida.
Somos arrogantes e ambiciosos demais.
Somos desnecessariamente expansivos.
Somos desnecessariamente expansivos.
Derrubamos tudo que há pela frente em prol de nossa expansão, mas é gozado saber que um único vírus invisível pode ceifar nossas vidas, silenciosamente. Ele nada fala, não tem goela, mas mata, incomoda, marca e nos mostra o quanto somos frágeis e limitados. Um simples raio, uma gangrena, uma bala, uma queda acima de 02 metros, uma espinha de peixe na garganta... "Apagamos" por quase nada.
Somos um super computador que não pode ver água!
Somos um super computador que não pode ver água!
Somos engraçados porque fazemos da vida um contrato. Precisamos sempre reler os 10 mandamentos de tudo para não esquecer de nada. Inventamos armas de destruição em massa, armas biológicas, inventamos combustíveis poluentes e só depois procuramos explorar energias limpas. Somos assim: engraçados, grandes sem-graça que nada levam ao serem sepultados sete palmos abaixo, como iscas de peixe a serem devoradas pelo tubarão Terra.
Eu não acho a vida feia. Ela é bela, porém cômica. Poucos se arriscam a vê-la como ela é: engraçada e ao mesmo tempo tão sem graça.
Uma grande piada de Deus!
Uma grande piada de Deus!
Gleydson Góes
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