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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Mais Complexo Estado de Espírito

Sinto-me com aguçados sentidos, "viajando" em percepções jamais notadas antes...
Assim, meio que sem querer, acabei descobrindo que tem um pedaço do caminho da vida
de cada um de nós que é trilhado na solidão.
Ainda que cercado por dezenas de pessoas, decisões implicam em pelo menos minutos de Solidão...
A solidão é o mais complexo estado de espírito, pois, por ser sozinho e enigmático, exigi-nos grande esforço para ser desvendado.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Saudosos Amigos

 
Há dois velhos amigos que sempre me escreviam algo. Eles me encaminhavam e-mails interessantes, poemas, links de filmes, fotos de passeios, dores. Há muito não recebo respostas para meus e-mails.  Um deles vive longe. É austríaco e nem seu número residencial eu tenho.
O outro é daqui, mas nenhum dos números atende.
Tentei enviar-lhe meu novo e-mail, mas recebi uma mensagem automática dizendo que não era possível entregar meu e-mail para seu endereço. 
Certamente seu correio deve estar desativado... 
O motivo pelo qual eu não sei.  Será que ele mudou de endereço? De país e endereço? Morreu?
 Senti uma certa tristeza profunda e melancolia nesta tarde quente de sábado. Lembrava de nossos diálogos cabeças e malucos, assim como lembrava dos cartões postais de tantas partes do mundo 
que o Kürt me mandava, com mensagens de carinho suas e de sua bela esposa Elizabeth.
Deveria ter pego o e-mail de um de seus filhos ou pelo menos o número da casa deles...
Parei pra pensar em meus melhores amigos do passado e percebi que meus amigos de 5/10 anos atrás estão muito distantes, pelo menos boa parte deles, quer seja geograficamente ou intimamente.
Nossos valores foram mudando no decorrer da vida, e acabamos por nos afastarmos por não mais compartilharmos gostos ou pontos de vista em comum. Mesmo assim eu sinto saudades deles. Mas fico feliz por saber que novos amigos apareceram. Novos rumos também...

É... a vida é assim: um eterno ciclo de encontros e desencontros, não só no que diz respeito aos laços de amizade, mas de nós mesmos. Nos desencontramos e encontramos quase que diariamente.
Estejam onde estiverem, oh saudosos amigos, que estejam bem!

Gleydson Góes

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Relato matinal

Vejo raiar mais um sol, digo, de novo raia o mesmo sol.
A manhã é que já é outra, pois a anterior ficou no ontem, e hoje... 
Ah, hoje é o inferno!
Vago lentamente pela casa. 
A cozinha branca e cheia de coisas está vazia, apenas eu a habito.
Tomo apenas um café pequeno, pois fome de verdade já não mais tenho.

Caminho em direação à sala. Subo as escadas agarrada no corrimão! 
Como doem as pernas, meu Deus! Como dói o coração...
Do meio para frente já fico ofegante, e suo como uma porca velha. 
Não apenas pelo cansaço, mas por me aproximar daquele bem-dito quarto.

Abro lentamente a porta. 
Na verdade não a abro já de início! 
Agarro a maçaneta e sussurro algo pra Deus...
Giro com a mão direita, e ao ritmo do giro da maçaneta gira minha cabeça.
E lá estão tuas coisas, meu amor. Todas, desafortunamente, no mesmo lugar! 
Como me arrependo de um dia ter desejado as coisas em ordem. 
Queria mesmo é vê-las de "pernas pro ar", mas o único ar no recito é o de silêncio.

Tiro a poeira de alguns livros.
Em alguns deles ainda sinto teu cheiro e vejo teus rabiscos inocentes.
Oh, meu Pai, de veras eu sinto algo indescritível. Tenho ganas de atirar-me janela abaixo! 
Mas por que puseste teu retrato bem na cômoda que antecede a persiana?
Sinto como como se me olhastes... Sinto-me embaraçada mais uma vez.

Finda minha romaria. 
Despeço-me em mil pedaços e volto para a cadeira de balanço do terraço.

Vigio novamente o portão da casa. 
Mas ele não se abre, tu não voltas e essa guerra que não acaba!

Gleydson Góes